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Asha Sharma, CEO do Xboxé nomeada para assessorar o Fed sobre empregos após demissões em massa

Asha Sharma, CEO da Xbox, foi nomeada para assessorar o Federal Reserve sobre empregos e IA, dias após anunciar a demissão de 3.200 funcionários. A ironia gera críticas.

Asha Sharma, CEO do Xboxé nomeada para assessorar o Fed sobre empregos após demissões em massa

No dia 9 de julho de 2026, o Federal Reserve dos EUA anunciou a formação de forças-tarefa para orientar políticas monetárias. Entre os nomes escolhidos para o grupo de produtividade e empregos está Asha Sharma, CEO da Xbox. A nomeação ocorre poucos dias depois de ela anunciar a demissão de 3.200 funcionários nos estúdios da empresa. A ironia não passou despercebida.

Um momento no mínimo constrangedor

Asha Sharma assumiu o comando da Xbox neste ano, vinda do grupo de IA Core da Microsoft. Em seus primeiros meses, ela já promoveu um novo aumento nos preços do hardware e, no fim de junho, comunicou o plano de cortar 3.200 postos de trabalho nos próximos 12 meses. As demissões abrangem estúdios e equipes de desenvolvimento, em um momento em que a indústria de games já enfrenta dificuldades para manter empregos.

No entanto, a nomeação para o conselho consultivo do Fed não é uma posição isolada. O grupo tem a missão de “avaliar o impacto econômico de novas tecnologias de uso geral, incluindo inteligência artificial, para informar as decisões de política do Federal Reserve”. Ou seja, a mesma executiva que está reduzindo quadros em uma das maiores empresas de tecnologia do mundo vai ajudar a pensar em como a IA afeta o mercado de trabalho.

Segundo especialistas, a contradição é evidente. Enquanto Sharma lida com cortes que afetam milhares de famílias, ela será chamada a opinar sobre políticas que podem preservar ou destruir empregos em escala nacional. O timing, como apontou o site Engadget, “não poderia ser pior”.

O trio de assessores e a polêmica

Sharma não está sozinha. Junto com ela, foram nomeados Marc Andreessen, capitalista de risco conhecido por declarações polêmicas sobre IA, e Charles I. Jones, professor de economia da Universidade Stanford que atualmente trabalha no Anthropic Institute. Andreessen, em particular, tem um histórico de minimizar os riscos da automação para o emprego, o que gerou críticas de acadêmicos e ativistas do trabalho.

Jones, por outro lado, é um economista respeitado, mas sua associação com o Anthropic — uma empresa de IA — levanta dúvidas sobre conflitos de interesse. O trio, portanto, reúne perfis que não são exatamente conhecidos por uma visão crítica sobre o impacto da inteligência artificial no mercado de trabalho.

Para o Federal Reserve, a escolha pode ser lida como um sinal de que a instituição busca alinhar suas políticas com a visão do setor de tecnologia. Mas, para trabalhadores e sindicatos, a mensagem é preocupante: quem decide sobre o futuro dos empregos está cada vez mais ligado a empresas que promovem demissões em massa.

A nomeação de Asha Sharma, em particular, cristaliza essa contradição. Ela lidera uma divisão que, sob o guarda-chuva da Microsoft, demitiu milhares nos últimos anos — e agora terá voz ativa em políticas que podem definir o ritmo da automação no país. O mercado de games, que já viu ondas de layoffs em 2024 e 2025, continua sendo um termômetro de como a tecnologia está transformando o trabalho.

Enquanto isso, a indústria observa. A Xbox, que já foi sinônimo de inovação e crescimento, agora enfrenta críticas por priorizar cortes em vez de criar novas oportunidades. A nomeação de Sharma para o Fed pode ser vista como uma tentativa de Washington de se aproximar do Vale do Silício, mas o timing — dias após o anúncio de 3.200 demissões — transforma o gesto em uma escolha no mínimo controversa.

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